Vou contar uma coisa que aconteceu esta semana que serviu para botar à prova algumas instituições. Um simpático gatinho preto e branco, de aproximadamente um mês e meio de vida, prendeu a pata traseira direita numa escada rolante da estação do Metrô em que trabalho. O acidente estraçalhou a patinha do bichano. Um usuário viu, tirou o gatinho da escada e nos avisou, mas deixou o bichinho sangrando lá. A preocupação do Metrô é com o sistema funcionando, portanto, uma vez liberado o equipamento - a escada rolante - fim da ocorrência. Perguntei ao Metrô o que fazer com o gato e a resposta foi: nada. Algo assim: joga na rua. Não sou fã de bichinhos, defensor de gatos nem nada disso, mas achei sacanagem largar o gato ferido na rua, daí comecei a peregrinação atrás de alguma solução. Primeiro, entrei em contato com os bombeiros, pois eles sempre recolhem animais que aparecem no sistema; dessa vez nos deixaram na mão, disseram que não poderiam fazer nada, que não dispunham de viatura para remover o gatinho para o centro de
zoonoses, etc. Problema meu. Daí, meu supervisor entrou em contato com o pessoal da
zoonoses, e eles disseram que o recolheriam. Só que, pra quem não sabe, a central de
zoonoses sacrifica os animais não retirados em três dias. Como nosso gatinho em questão não tem dono, seu destino seria a injeção letal. Tentamos então alguma entidade ou ong ou algo assim de defesa dos animais para prestar os primeiros socorros ao gatinho. Nada. Ninguém tem vaga e, na verdade, senti uma frieza incrível por parte dessas entidades. A própria
UIPA - União Internacional Protetora dos Animais não nos atendeu durante toda a manhã e, à tarde, quando nos atenderam, uma fria atendente ouviu a história do acidente e se limitou a dizer "não temos vagas". Na propaganda é tão bonitinho né, no programa de televisão, e tal, mas na real, para com o nosso gatinho acidentado em questão, eles não estão nem aí. Nenhuma entidade. Daí que um grupo de funcionários da estação resolveu agir por conta própria: levamos (leia-se "levei") o gatinho num veterinário particular e pagamos do nosso próprio bolso os cuidados do gatinho, que incluíram consulta, cirurgia para amputação parcial da pata traseira direita, sedação, anestesias, sutura, medicação, curativos e ração. Primeiros socorros efetuados, começamos a buscar alguma boa alma que adotasse o "Escadinha", nome dado ao bichinho. E não é que uma colega se prontificou a ficar com o bichano? Três semanas de curativos diários, retorno ao veterinário para retirada de pontos em dez dias, etc. Parabéns à Patrícia, a nova dona do Escadinha.
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Essa história mostra que essas entidades de defesa e acolhimento de animais não funcionam. O caso do Escadinha era um caso de urgência e merecia atenção especial.
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Mostra também como existem pessoas insensíveis. Digo isso porque alguns "colegas" de trabalho se recusaram a ajudar, e ainda criticaram nosso empenho em salvar o bichano.
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The Cure - The Lovecats
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